Após audiência com famílias, instituição articula com Sesau e Seplag mutirões de cirurgias e linha de cuidado para crianças que aguardam implante coclear
A construção do Centro Estadual de Saúde Auditiva de Alagoas começou a ganhar forma. Em reunião realizada nesta terça-feira (30), a Defensoria Pública do Estado de Alagoas (DPE/AL), a Secretaria de Estado da Saúde (Sesau) e a Secretaria de Estado do Planejamento, Gestão e Patrimônio (Seplag) alinharam os primeiros passos para viabilizar a política pública. O projeto também prevê a criação de um fluxo de atendimento para pessoas com deficiência auditiva, com prioridade para crianças, cujo acompanhamento precoce é essencial.
O encontro, realizado na sede da Seplag, contou com a presença do defensor público-geral, Fabrício Leão Souto; da secretária da Seplag, Paula Dantas; do secretário executivo de Regulação e Gestão da Sesau, Guilherme Lopes; da subdefensora pública-geral e integrante do Núcleo de Proteção Coletiva, Thais Moreira; e do defensor público Carlos Eduardo Monteiro.
Durante a reunião, a Sesau demonstrou interesse institucional e se comprometeu a apresentar, em até 15 dias, um plano inicial para a criação da política pública. A proposta contempla duas frentes: a realização de mutirões de cirurgia para crianças que aguardam o implante coclear, respeitando a chamada janela de neuroplasticidade, período crítico do desenvolvimento cerebral em que a aprendizagem é mais intensa, e a estruturação de uma linha de cuidado contínuo, desde o diagnóstico até o acompanhamento pós-cirúrgico.
Para o defensor público-geral, Fabrício Leão Souto, a reunião representa um divisor de águas. “Após termos ouvido as famílias desses pacientes, que vivem a angústia de ver seus filhos crescerem sem poder ouvir e já próximos da idade limite para o implante, saímos hoje com a certeza de que um fluxo de trabalho será implementado e um centro estruturado. Isso significa devolver a esperança a essas crianças e suas famílias. A Defensoria Pública cumpre, mais uma vez, seu papel de ponte para o acesso à justiça e aos direitos”, destacou.
O secretário executivo da Sesau, Guilherme Lopes, reforçou que a parceria é o caminho para resultados concretos. “Saímos com a perspectiva de montar um programa que será fundamental para nossas crianças, desenhando uma linha de cuidado que acompanha desde o nascimento até, se necessário, a cirurgia. Quando a Defensoria Pública e a Saúde caminham juntas, quem ganha é a sociedade”, afirmou.
Essa agenda de articulação nasceu a partir da audiência pública realizada pela Defensoria na última semana, que reuniu famílias, especialistas e autoridades para discutir o futuro da política de saúde auditiva no estado. O momento atual remete à experiência bem-sucedida do Projeto Respirar, também liderado pela Defensoria, que garantiu atendimento a crianças traqueostomizadas em Alagoas e se consolidou como modelo de política pública eficiente e humanizada. Agora, a instituição busca repetir esse êxito no campo da saúde auditiva, transformando a vida de centenas de crianças e adultos que aguardam a chance de ouvir.

