As coordenações da Defesa Civil Nacional, Estadual e Municipal apresentaram, nesta sexta-feira (18), no Palácio República dos Palmares, o Plano de Contingência de Proteção para o bairro do Pinheiro, em Maceió, que encontra-se sob risco iminente de um evento geológico de grandes proporções. O plano apresenta os pontos seguros na região, pontos de encontro e rotas seguras para retirada de moradores em caso de incidente, além de apontar as áreas de risco muito alto, alto, médio e baixo.
De acordo com o coordenador da Defesa Civil Estadual, tenente-coronel Moisés Melo, com o Governo do Estado, Governo Federal e a Prefeitura de Maceió, a área do Pinheiro está sob monitoramento constante, realizado 24 horas por dia, para acompanhar qualquer movimentação de solo abaixo das residências. “Inicialmente, o Plano de Contingência está a cargo do município, e os entes estadual e federal entram com total apoio em qualquer necessidade e carência do município. Quando o município não suporta mais a possibilidade do desastre, é feita a convocação para que todos possam atuar nesse plano de contingência gigantesco. Ele serve para dar as diretrizes e orientações, não só para a população, como para integrar todos os órgãos envolvidos em busca de um só objetivo, que é a prevenção”, explicou.
Dentro da prevenção a um eventual desastre na região, 190 famílias que moravam na área de risco muito alto já foram deslocadas. “Já estamos atuando fortemente com a prevenção, fazendo cadastramento da população, retirando a população da área de risco, solicitando recursos do Governo Federal para que, havendo necessidade, estejamos prontos para dar a resposta e salvar todos aqueles que moram ali, com apoio do Exército, Polícia Militar, Corpo de Bombeiros, grupamento aéreo. Trabalhamos com todas as possibilidades, mas a parte mais forte hoje é a prevenção. Iremos solicitar que toda a população da área vermelha saia antes que comece a quadra chuvosa, que vai de abril até meados de agosto. Nessa área, nós temos cerca de 500 imóveis e estamos solicitando que a população se retire voluntariamente. Para aqueles que precisarem de aluguel social, nós já temos recursos disponibilizados pelo Governo Federal, no valor de R$ 1 mil por mês, para que essas pessoas possam alugar residência em outra região”, disse o coordenador da Defesa Civil Estadual.
O Plano de Contingência aponta como pontos de encontro em caso de emergência o terminal de ônibus do bairro do Sanatório, na Rua Professor José da Silveira Camerino; o estacionamento da Casa Vieira, na Rua Tereza de Azevedo; as concessionárias Hyundai e Volkswagen, e o Centro de Estudos e Pesquisas Aplicadas (Cepa), na Fernandes Lima; a Praça Lucena Maranhão, na Avenida Major Cícero de Góes Monteiro, no Bebedouro; e a sede do Instituto do Meio Ambiente de Alagoas (IMA), na mesma avenida, no bairro do Mutange. A base de comando de todas as equipes envolvidas no problema será o quartel do 59º Batalhão do Exército Brasileiro, onde acontecerão também todas as reuniões para tratar do assunto.
“Quem estiver em qualquer área de risco e precisar sair, deve se direcionar para o ponto de encontro mais próximo. O Cepa será o ponto de encontro principal, onde será montado, se necessário, um hospital de campanha com o apoio do Exército, e uma base do Samu, que já tem sua sede muito próxima ao Cepa. Mas, caso haja um outro tremor, a população deve se deslocar para o ponto de encontro mais próximo da sua residência, entre os que estão estabelecidos. Não vamos interditar a avenida Fernandes Lima em situação nenhuma, mas o Bebedouro poderá ser fechado se houver necessidade”, observou Moisés Melo.
“Dentro do plano, a coordenação-geral fica a cargo do Governo do Estado e da Defesa Civil Estadual. A coordenação executiva fica com a Defesa Civil Estadual, Municipal e Nacional. Dessa coordenação executiva vai partir a solicitação de recursos, salvamentos e a parte logística para atender a população, a parte social, de acomodação, alojamentos, o que for necessário. A assessoria técnica nós já temos, os cientistas do Serviço Geológico do Brasil, de dois ministérios envolvidos nessas pesquisas e a assessoria técnica do Estado através dos nossos engenheiros, além dos engenheiros contratados pela Prefeitura para a avaliação de todos os prédios e residências em áreas de risco e o cadastramento da população. Todos esses grupos de trabalho já estão montados. Hoje, não faltam recursos para trabalhar nessa situação atípica no bairro do Pinheiro”, afirmou o tenente-coronel.
O coordenador da Defesa Civil Estadual informou, ainda, que qualquer ocorrência na região do Pinheiro deve ser informada pelo telefone 193, do Corpo de Bombeiros, que integra, junto com o Grupamento Aéreo, o grupo operacional do Plano de Contingência. Segundo Moisés Melo, o principal risco para o bairro no momento é a acomodação de solo abaixo das residências, que pode resultar em desabamentos.
Texto de Petrônio Viana

