
No início dos anos cinqüenta o Clube de Regatas Brasil possuía em seu plantel um ponteiro esquerdo com todas as características de um futuro craque do nosso futebol. Era rápido, insinuante, driblador e consciente nas jogadas de linha de fundo. Por ser um jogador veloz e objetivo foi vitima da violência, e aos dezoito anos de idade teve uma bruta parada no caminho que poderia lhe levar a consagração. Malvino já tinha conversado com “seu” Jaime, pai de Dida e um empresário que desejava levá-lo para o Flamengo. O negócio estava praticado acertado.
Mas, o futebol é cheio de armadilhas. E num dia de domingo, no campo da pajuçara, o destino foi cruel para o futuroso craque do CRB. Foi no jogo contra o Auto Esporte. Um lançamento em profundidade de Eraldo para Malvino, que com um toque genial adiantou a bola tirando Napoleão da jogada e procurando a linha de fundo. Napoleão foi atrás do ponteiro e alcançou sua perna esquerda com os dois pés numa jogada por trás e desleal. Malvino teve sua perna fraturada. Ali, naquele momento, estava cortada uma das mais promissoras carreira de um atleta de futebol.
A partir daquela jogada, Malvino passou a viver um drama que o marcou por toda a vida. Foram dias terríveis. Momentos de angustia, de desespero, de incertezas. Levado para o Hospital, Malvino foi atendido por acadêmicos, apesar do CRB, na época, ter muitos médicos em sua diretoria. Durante cinco meses ficou hospitalizado. Recebeu apoio dos familiares e dos amigos. O CRB não deu a devida assistência ao seu jogador, apesar de fazer um jogo em beneficio de Malvino e que rendeu quatro mil cruzeiros. Dinheiro que não deu para pagar as despesas hospitalares. Não houve o apoio moral dos dirigentes alvi rubros. Ao contrário. No mesmo dia do jogo, já no Hospital, o presidente do clube, Dr. Duda Calado e o diretor de futebol tenente Wellington, foram até o quarto de Malvino para lhe pedir a camisa que ele tinha jogado. Uma magoa que o jovem craque guardou durante toda sua vida. A preocupação dos dirigentes era a camisa e não a saúde do jogador.
Depois de cinco meses no Hospital, a perna de Malvino não ficou boa. Foi necessário que seu pai o levasse para o Recife onde a perna foi novamente engessada e mais quatro meses ele ficou hospitalizado. Nesse período, o CRB não gastou nenhum tostão e futuro craque nunca mais jogou futebol. A perna quebrada deu sérios prejuízos para Malvino. Seu futebol parou naquela tarde de 19 de maio de 1954. Ele que pretendia ser oficial do exército também não conseguiu devido ao problema em sua perna. Mas, Malvino sempre foi um garoto estudioso e, apesar das dificuldades, venceu. Trabalhando na Petrobrás, ele se tornou um vitorioso. Foi transferido para Aracajú, mas nunca esqueceu o drama que viveu com a camisa do CRB. Hoje, não sabemos onde se encontra Malvino. Sabemos apenas que ele faz parte dos arquivos implacáveis do Museu dos Esportes Edvaldo Alves de Santa Rosa, o Dida.
Fonte : www.museudosesportes.com.br

